Umbu, xiquexique, mandacaru, entre outras delícias dos biomas do Brasil dão toque diferente à mesa do consumidor e ampliam os negócios de produtores e comerciantes.
No Mercado Municipal de São Paulo, a loja de Leonardo Chiappeta chama a atenção. O colorido das diversas frutas secas estrategicamente dispostas na vitrine do Empório Chiappeta atrai centenas de consumidores, ansiosos pelas novidades garimpadas pelo comerciante. Há mais de 10 anos, ele vende o produto desidratado, mas foi o trabalho com produtores rurais do Nordeste que impulsionou uma nova oportunidade de mercado.
![]() |
| Caqui e jenipapo secos |
Convidado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em 2004, para ensinar o processo de secagem de frutas a agricultores do Piauí, Leonardo enxergou nas frutas regionais a possibilidade de inovar o segmento, ajudando a gerar renda para as comunidades locais e preservar produtos tipicamente brasileiros. O que começou com o caju piauiense avança, agora, para outros estados que antes, muitas vezes, desperdiçavam grande parte da produção, como o xique-xique, o umbu e o mandacaru da Caatinga, além de frutas de outros biomas do país.
Leonardo afirma que, atualmente, o Brasil produz 42 milhões de toneladas de frutas, mas nem 1% desse volume é desidratado. O produto que passou do estágio de consumo acaba sendo inutilizado, mas pode ser aproveitado com a secagem. “Há uma janela enorme de mercado aberta. É preciso valorizar o que é nosso e investir naquilo que é ecológico e socialmente sustentável. Oferecer o artesanal, mas melhorar as condições rudimentares de apresentação desses alimentos”, comenta
Processamento
O processo milenar se sofisticou com o passar dos anos. Na antiguidade, a secagem era natural, feita com exposição ao sol, e o método ajudava a preservar os alimentos. Com a percepção de que o produto durava mais – geralmente um ano –, as frutas foram incluídas no cardápio militar, nas guerras do século 20, quando os países desenvolveram novas técnicas de desidratação.
![]() |
Caju e até melancia rendem frutas desidratadas que podem ser consumidar puras ou utilizadas na culinária |
Nos estados onde estão sendo desenvolvidos as frutas secas brasileiras, o Sebrae aloca recursos para a instalação de estruturas de secagem, com fornos especiais para realizar o processo. O trabalho é realizado em conjunto com produtores envolvidos em cooperativas. O agricultor seleciona o fruto no seu melhor estágio (maduro, mas não passado, que já não vai mais para o mercado) e o beneficiamento é feito na região. “A ideia é que processamento permaneça nas localidades onde os produtores estão instalados, assim tem trabalho para todo mundo”, diz Leonardo.
Os cortes das frutas são diversos, mas depende do produto e da aplicação que ele terá. Todo o trabalho é guiado por Leonardo, engenheiro mecânico de formação, e apaixonado pelo processo. Além de durar mais, a secagem concentra os nutrientes, o que ajuda a aumentar ainda mais a procura pelo produto.
Mercado
![]() |
O umbu da Caatinga se destaca pela beleza do produto e pelo sabor preservado pelo processo de secagem |
A estrutura básica para produção custa cerca de R$ 100 mil. Para exportação, o investimento é maior e pode chegar a mais de R$ 1 milhão. “A gente tem condição de exportar. A banana já está neste nível. Isso vai para o mundo todo. Já temos canais de distribuição na Espanha e na Itália, mas precisamos ficar mais competitivos. Os produtores precisam evoluir com certificados e absorção de tecnologias”, explica.
Hoje, o desenvolvimento de projetos em frutas secas é realizado com agricultores de diversas regiões do país como Amazônia (cupuaçu, graviola, taperebá, açaí), Caatinga (umbu, xique-xique, mandacaru, maracujá), Cerrado (baru, caju, cagaita), Pantanal (pequi, manga), Mata Atlântica (caqui, goiaba, maçã, caju), Pampa (pinhão, bergamota, pêssego) e Costeiro (coco, abacaxi, jaca, banana, manga).
Os produtos foram apresentados para a rede de supermercados Pão de Açúcar e já começam a ser comercializados. Em São Paulo, o empório Santa Luzia também destaca as frutas em suas gôndolas e as três lojas da família Chiappeta estimam vender este ano cerca de 20 toneladas dessas iguarias, onde os preços variam de R$ 12 a R$ 120 o quilo.









