Derivados de alto valor atendem a indústrias em diversos ramos de atuação
Para o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho (Abramilho) e ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, a cultura vive um momento de transição importante. “O milho deixa de ser visto pelo binóculo da soja para ter vida própria nas lavouras”, afirma. Para ele, os preços continuarão dando as regras do mercado, mas a demanda crescente por alimentos também passará a comandar o jogo. “Em curto prazo, os EUA precisam de milho para o etanol, ainda mais agora, com a quebra da safra provocada pelo clima, e os chineses querem comer mais carnes. No médio prazo, a agroindústria brasileira vai demandar milho para agregar valor à matéria-prima e, em um futuro não muito distante, todos esses fatores convergem”, explica o ex-ministro. Mas, além da agroindústria, outra forte tendência para o milho é sua utilização para a recuperação de pastagens degradadas, que deve ganhar fôlego no país nos próximos três anos. Luiz Lourenço, presidente da Cocamar, cooperativa localizada na região noroeste do Paraná, defende o plantio das lavouras do cereal no processo (leia artigo nesta edição). “O milho é uma das melhores alternativas para a recuperação das pastagens degradadas do Brasil ou, pelo menos, poderá recuperar 100 mil hectares delas. E essa tarefa o produtor rural vai ter de aprender a fazer nos próximos anos para preservar o ambiente”, afirma. De acordo com o presidente da Cocamar, o milho reduz os custos de recuperação dos pastos e dá liquidez ao produtor. O agrônomo João Cuthcouski, da Embrapa, diz que, quando consorciado com a braquiária, a produtividade é alta. “Em Goiás, chegamos a 52 toneladas de silagem de milho por hectare na recuperação dos pastos”, afirma o pesquisador.

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